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Afirmação do Espaço Económico Ásia-Pacífico

A economia da Ásia abrange um universo de mais de quatro biliões de seres humanos, ou seja, 60% da população do mundo. Mas é na Ásia Oriental, junto ao Pacífico, naquilo a que chamamos tradicionalmente de Extremo Oriente, que engloba desde o Sudeste Asiático até ao Japão, Coreias, Ásia oriental russa e China, que se tem dado o maior boom económico do continente e do mundo até, principalmente entre os anos 80 e 90. Esta região não tem apenas a mais forte economia de toda a Ásia e uma das quatro maiores do mundo, o Japão, como tem também a mais atrasada, Timor Leste, registando ainda a que possui maiores níveis de crescimento na actualidade, a China, que já terá mesmo ultrapassado os nipónicos em certos indicadores.
Tudo se desencadeou depois da Segunda Guerra Mundial e, com maior ênfase, depois dos anos 60, com os processos de descolonização, superação de guerras civis e com o colapso do regime soviético (1990-91) e a democratização crescente das economias da Ásia Oriental, estimuladas pelo Japão, sua referência e investidor maior. Primeiro foram as economias da Índia e da China a lançarem-se na senda do desenvolvimento, atingindo patamares de crescimento anual de 6%, embora no primeiro caso se tenha registado um arrefecimento maior desde a década de 80, época em que a segunda quase que “disparou” até aos dias de hoje. Entretanto, dá-se, a partir dos anos 80, o surgimento de novas economias florescentes no Sudeste Asiático: Tailândia, Malásia, Singapura e Indonésia, os primeiros “Tigres”. Com base na exploração de matérias-primas como hidrocarbonetos, borracha, madeiras e no relançamento das suas indústrias e dos seus sistemas financeiros, aquelas nações registaram níveis de crescimento anual de mais de 7%, como sucedeu um pouco paralelamente com a Coreia do Sul e Taiwan, a que se seguiram o Brunei Darussalam (Sultanato de Brunei) e, com índices muito inferiores e graves desigualdades e problemas políticos, as Filipinas, o mais pobre dos Tigres. Economias baseadas nas exportações a baixo preço e altamente concorrenciais, com recurso a mercados de capitais altamente desenvolvidos nas suas capitais e atraindo investimentos industriais estrangeiros em grande escala, dados os custos de produção serem muito baixos e a mão-de-obra abundante. Em 1997, graves crises financeiras, com base nos mercados de capitais, atingiram gravemente as economias da Tailândia, da Malásia, de Singapura, da Indonésia e da Coreia do Sul, o que por reflexo arrastou outras economias em ascensão, como a do Vietname, por exemplo. Entretanto, a crise económica japonesa, com uma recuperação lenta, como a grave crise económica mundial e a instabilidade dos preços de energia e as transições democráticas instáveis (Indonésia, por exemplo), não mais permitiram um crescimento tão grande como que se processou antes da chamada “crise financeira asiática” de 1997, a qual, para muitos, demonstrou as fragilidades das economias dos Tigres da Ásia. Tigre de papelão, como muitos apodaram aqueles países. Uma economia, no entanto, manteve-se em constante crescimento, crises pontuais, é certo, mas sobrevivendo a todas as outras crises nos vizinhos, graças em parte ao seu sistema económico ainda blindado em práticas proteccionistas e isoladoras do Maoísmo: a China. Com efeito, esta ameaça já o Ocidente em termos económicos, reforçada pelo sucesso da integração de sistemas capitalistas como Macau e Hong Kong no seu seio, preparando-se para o mesmo fazer face a outro Tigre: Taiwan. Também a Índia tem encetado uma recuperação sustentada da sua economia, que a poderá guindar no futuro a uma liderança regional mais acentuada, a par da rival China. Um outro caso de crescimento é o do Paquistão, embora com graves problemas políticos e religiosos.
O extremismo islâmico (Indonésia, Malásia), as suas guerrilhas (sul da Tailândia, sul das Filipinas, Banda Aceh, na Indonésia), o tsunami de Dezembro de 2004 e o emparceiramento político face aos EUA causaram nos últimos anos situações de conflito e de instabilidade que comprometem o desenvolvimento económico afirmado até fins do século XX. Algumas iniciativas têm tentado afastar a acção negativa desses problemas, como a criação de associações regionais de países, como a APEC (Asian-Pacific Economic Cooperation), em concertação com países como os EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, grandes mercados dos Tigre asiáticos, ou a ASEAN (Association of Southeast Asian Nations), mais centrada nos países do SE Asiático. Todavia, prevê-se que o futuro não será tão sorridente como foi a década de 90, mas as premissas de desenvolvimento sustentado estão a ser lançadas e assiste-se a um interesse económico crescente do Ocidente perante as economias da Ásia-Pacífico, ainda um vasto mercado e fonte de abastecimento de produtos a baixo preço de fabrico e de colocação no mercado, além de deter ainda inumeráveis recursos naturais. A China é actualmente a mais pujante das economias da região, já com forte expressão mundial.

Afirmação do Espaço Económico Ásia-Pacífico. In Diciopédia X [DVD-ROM].
Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

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