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Renascimento

Movimento cultural que se desenvolveu em países da Europa Central e Ocidental como a Itália (passando sucessivamente de Florença a Siena e depois a Roma, e alastrando posteriormente a toda a Península Italiana) nos séculos XIV a XVI e que veio a irradiar e a ter fundas repercussões na cultura de praticamente todos os países do continente europeu. As figuras de proa do movimento gostavam de se apresentar como críticos do “obscurantismo” medieval, numa atitude de contestação à tradicional influência da religião na cultura, no pensamento e na vida quotidiana ocidental. Esta atitude comportava a minimização de movimentos culturais que, desde o século XII, vinham contestando a religião e o papel cultural preponderante da Igreja, e que foram na realidade os precursores históricos do Renascimento italiano.
O factor social que tornou possível a eclosão e sobrevivência do movimento renascentista foi a ascensão de uma burguesia ligada à banca e aos grandes negócios internacionais, portadora de uma ideologia individualista e ansiosa por desfrutar da autoridade política que até então estivera concentrada exclusivamente nas mãos de nobres e eclesiásticos.
O movimento renascentista começa por ser uma contestação da ideologia dominante durante o milénio medieval: à civilização cristã contrapõe-se uma ideologia antropocêntrica, revelando um desiderato de fazer renascer a Antiguidade greco-latina, que, na interpretação então prevalecente, se caracterizara precisamente por colocar o homem no centro do Universo e representava um ideal de civilização natural. Estudam-se os clássicos com rigor e minúcia, com o apoio de uma filologia que conhece um desenvolvimento fulgurante, enquanto, pela mesma ordem de razões, revive e se intensifica o interesse pela história (em detrimento da crónica medieval), meio privilegiado de conhecimento do passado “áureo” que se pretende imitar ou reproduzir e surgem sérias iniciativas de investigação arqueológica (sem as quais, obviamente, teria sido impossível conhecer em detalhe a arte antiga, nas suas múltiplas manifestações).
O mesmo espírito crítico que se aplica ao conhecimento das literaturas clássicas e à história volta-se para as ciências, traduzindo-se num incremento do estudo das ciências exactas, como a astronomia e a matemática que lhe está intimamente ligada, das ciências da natureza e dos estudos experimentais. Concomitantemente, a aplicação prática das ciências permite fecundos desenvolvimentos da técnica.
Na arte produzem-se notáveis inovações. A pintura apresenta não apenas retratos (manifestação do gosto artístico da burguesia individualista em ascensão) como também paisagens, aparece o nu humano realista (que já não é a pintura simbólica de Adão e Eva que a Idade Média vira difundir-se largamente) e os temas da mitologia clássica convivem com os temas pictóricos inspirados pela religião cristã. Esta iconografia não se limita a tratar temas diferentes de um modo original; a figura dos seus autores ganha, simultaneamente, um estatuto social elevado, de grande prestígio, também ele caracterizado por uma postura individualista (são obras de autor, assinadas pelos criadores e já não produções anónimas ou colectivas de oficina). Tecnicamente, a pintura sofre igualmente uma evolução notória, pelo recurso à riqueza da policromia e pela introdução da perspectiva e da sensação de movimento, sempre na busca de uma mais perfeita aproximação à realidade. Igualmente a arquitectura se deixa influenciar pelos cânones greco-latinos, cujas formas e volumes são integrados nas novas construções (as colunas, por exemplo), tentando-se a criação de uma nova estética, onde tem lugar primacial a grandiosidade dos edifícios. As grandes obras arquitectónicas são acompanhadas por uma profusão de esculturas, onde se privilegia a figura humana, reproduzida de modo assumidamente realista.

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