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Escultura e Pintura Românicas

Arte fundamentalmente religiosa, indissociável da religião cristã, o Românico alarga-se igualmente à pintura e à escultura, que em comum têm a subordinação a um propósito edificante e se colocam ao serviço de uma visão ortodoxa do transcendente. Arte sem a pretensão de figurar a realidade de forma objectiva, antes se pretendendo simbólica, procura levar o crente a meditar sobre o seu lugar e o seu destino.
A pintura românica é antes de mais pedagógica, encontrando-se ao serviço da religião, transmitindo os ensinamentos e os princípios fundamentais da doutrina cristã, visíveis na decoração arquitectónica articulada com a componente escultórica. Tenta transmitir uma mensagem mais amena do que a transmitida nas esculturas dos portais que representam a salvação ou a condenação das almas. Os fiéis são advertidos, pelas esculturas, das punições a que estarão sujeitos se não se redimirem dos seus pecados.
Muito provavelmente, as paredes das igrejas estariam revestidas de cores vivas (ao contrário do que muitos restauros enganadores poderiam levar a pensar), a fim de suavizar a pesada atmosfera destes templos. Infelizmente, no nosso país, são muito escassos os exemplares que apresentam pintura.
Os temas mais comuns nas pinturas a fresco, concentrados nas absides e nas paredes superiores da nave central, pretendem representar os princípios da religião Cristã: a Trindade, a Virgem Maria, a vida dos santos e temas apocalípticos, como o Juízo Final, normalmente colocados junto das saídas. Há também alguns elementos iconográficos simbólicos, que acompanham estes temas. É usual encontrarmos a representação da Jerusalém celeste, dos trabalhos, bem como a simbólica dos temas da tradição clássica como a sereia, o pavão real ou a árvore da vida.
Trata-se de uma pintura mental ou intelectualizada, com figuras lineares e sem perspectiva, que comungam com elementos da estética paleocristã, da bizantina e da pré-românica.
A iluminura, a arte de decorar textos sagrados utilizando a pena ou o pincel sobre um suporte de papel ou de papiro recorrendo a miniaturas e à utilização de prata, ouro e cores, surgiu no Egipto no tempo dos faraós. Foi depois transmitida aos Gregos e Romanos, que por sua vez legaram esta técnica aos Bizantinos, estendendo-se a toda a Cristandade no século IV. Na Idade Média, a técnica da iluminura foi muito utilizada na decoração dos livros de teologia e dos livros de culto produzidos nas comunidades monásticas.
A escultura românica é arquitectónica porque, tal como a pintura, está subordinada à arquitectura, resumindo-se a apontamentos decorativos concentrados nos tímpanos, nas arcadas e nos capitéis dos portais e noutros vazamentos. Ela transmite as novas concepções do corpo e da estética da representação. A sua iconografia é pedagógica, pretendendo transmitir a mensagem cristã a uma população maioritariamente analfabeta. Os motivos glosados são essencialmente vegetalistas, geométricos, antropomórficos e zoomórficos. Nas representações esculpidas abundam cenas e passagens das Escrituras Sagradas como o Juízo Final, o Deus Castigador, o Tetramorfo e Cristo em Majestade.
Tanto a escultura como a pintura do período românico nascem de esquemas mentais, mas a escultura parte daí para transfigurar o real, provocando simultaneamente sentimentos de admiração e de familiaridade.

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