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Arquitectura Românica

O primeiro momento da evolução da arquitectura românica regista-se na Itália (de onde irradia para toda a Cristandade), onde mestres canteiros, organizados em corpos itinerantes, erigem igrejas caracterizadas por uma grande simplicidade, com paredes em aparelho pequeno que dão a ilusão de serem feitas de tijolo, cobertas de tectos de madeira (que posteriormente darão lugar a abóbadas de berço) e cujas naves se apresentam divididas por colunas ou pilares, despidas de ornamentação plástica e com campanários no flanco do edifício.
Em França irá surgir uma outra manifestação da mesma corrente arquitectónica, na qual são mais notórias as influências germânicas (da Alemanha dos Otões, especialmente).
A abadia-mãe de Cluny é o exemplo paradigmático de um tipo de arquitectura monástica, muito expressiva, que traz uma nova estrutura e uma nova estética. Cluny, o paradigma da arquitectura monástica do século XII, foi iniciada em 1088 pelo abade D. Hugo e dedicada a S. Pedro, “O Pescador de Almas”. Note-se que a abadia existia já desde o século X, mas sucederam ampliações e reconstruções. Em 1088, parte-se para a tipologia românica própria de Cluny.
No nosso país, a arquitectura românica de Cluny chegou a pequenas igrejas de mosteiros do Norte de Portugal, normalmente de uma só nave e de acentuado carácter defensivo. É que, para além da função religiosa, a Igreja era, por vezes, usada como fortaleza numa região sujeita às razias do adversário árabe, localizado no Sul da Península. Os contrafortes e as janelas em forma de seteiras atestam essa função defensiva.
A arquitectura cisterciense, por seu turno, foi muito marcada pela espiritualidade do rigor e da simplicidade professadas pelo seu maior mentor, S. Bernardo, quarto abade geral. Os seus edifícios estão filiados na casa-mãe, a qual enviava, por norma, um abade e doze monges para cada nova fundação. A primeira fundação documentada em território português é a abadia de S. João de Tarouca em 1140-1144, filiada em Claraval, seguida pela abadia de Santa Maria de Salzedas, também na região de Tarouca.
Os edifícios deste estilo românico denotam uma adaptação à liturgia romana, mais simples, mas ao mesmo tempo mais encenada, e são vestidos de esculturas concentradas nas portas, símbolo das portas do céu, e nas janelas, por onde entra a luz divina, e muitas vezes embelezadas por pinturas a fresco nos seus panos.
Em Portugal, este estilo coincidiu com a reorganização do território, dividido em paróquias, e com o nascimento e afirmação da nossa identidade nacional.
O estilo românico apresenta algumas características básicas comuns a todos os núcleos de produção deste tipo de arte. No entanto, este fio condutor não impede que se formem escolas nacionais e até regionais, que lhe conferem uma das suas especificidades.
Em França, as igrejas, normalmente de dupla torre, apresentam abóbadas de berço e capelas radiantes. Podemos distinguir as seguintes escolas: da Provença; do Languedoc; da Aquitânia; da Borgonha (que teve grande influência em Portugal) e da Normandia. Na Itália, o românico é diverso e original, e nele coexistem as escolas da Lombardia, de influência germânica, a de Pisa, simbolizada pela sua catedral, e a da Toscânia, cheia de cor devido aos jogos de mármores. Na Alemanha, as igrejas são monumentais e de planta romana como a catedral de Spire. O românico da Grã-Bretanha está, nitidamente, relacionado com o da Normandia, depois da conquista de Guilherme em 1066; o da Escandinávia está sintetizado, por exemplo, na catedral sueca de Lund com alguma influência germânica.
A planta-padrão de uma igreja românica é uma planta do tipo basilical, composta, no entanto, por três ou cinco naves para servir a nova liturgia. Apresenta um coro entre o transepto e a abside e uma charola ou deambulatório, isto é, uma galeria de formato semicircular em volta da capela-mor. Este elemento arquitectónico foi adicionado para integrar as igrejas de peregrinação, nas quais os crentes podiam visitar as capelas absidiais sem interromper o serviço religioso. Em alternativa podiam-se construir, em volta da ousia ou do transepto, pequenas absides ou absidíolos.
A igreja típica seria abobadada, dotada de tribunas ou trifórios, ritmada por vãos e janelas estreitos para criar uma atmosfera mística, e as suas paredes seriam suportadas por contrafortes.
Em Portugal, a arquitectura românica é rica em formas ou influência local, apesar de se notar uma forte influência francesa e um baixo nível técnico, predominando os edifícios de apenas uma nave, de aspecto maciço e compacto. No país podem distinguir-se as escolas do Alto Minho, da área de Braga, da região do Porto e de Coimbra. Nos exemplos mais significativos da arte românica encontram-se a Sé de Braga, de todas a mais antiga (finais do século XI), a Sé do Porto e a de Coimbra.
No Norte do país, o estilo românico teve uma longa permanência, prolongando-se até aos séculos XIII e, por vezes, XIV, numa altura em que na Europa já se construía ao estilo gótico. Aqui, o material utilizado foi basicamente o granito. Esta longa permanência tem a ver com a própria história desta região. No Centro e no Sul do país este fenómeno foi mais efémero. Aí, a conjuntura política e económica era distinta, e a confluência de influências, nomeadamente a muçulmana e a moçárabe, ditava uma arte bastante diferente da nortenha. Usava-se predominantemente a rocha calcária.

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