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A URSS de Estaline (1922-1953)

Jossip Vissarianovitch Dhugashvili, cujo nome político é Estaline (“homem de aço”, do alemão Stahl), empenha-se na tarefa de derrubar os seus adversários para alcançar o poder após a morte de Lenine, em 1924. Na sua juventude aderiu à social-democracia de orientação marxista, em 1901, passou pelo cativeiro na Sibéria, participou na revolução de 1905 (altura em que conheceu Lenine), foi agregado pelo Comité Central do Partido Operário Social Democrata Russo (P.O.S.D.R) em 1912 e esteve exilado na Sibéria entre 1913 e 1917. Participou na Revolução de 1917, desempenhando funções muito importantes na sua eclosão e desenvolvimento. De 1918 a 1920 foi membro do Conselho de Defesa e comissário do povo para as nacionalidades, pondo em prática a política bolchevique de autodeterminação nacional.
Depois deste percurso político tornou-se o secretário geral do partido em 1922. Temendo o rumo que a Rússia poderia tomar, Lenine, já doente, escreve algumas notas consideradas como o seu testamento, critica o modo de agir de Estaline, considera-o extremamente brutal e propõe o estudo de uma solução para que seja substituído no cargo (mas não a demissão) por alguém mais leal e mais ponderado. Apesar do desejo por Lenine, Estaline mantém-se no cargo reforçando ainda mais a sua autoridade.
Com a morte de Lenine em 1924, Estaline iniciou uma luta pelo poder, primeiro apoiado por Kamenev e Zinoviev contra Trotski, acabando depois por derrotar, em fins de 1927, Kamenev, Zinoviev e Shliapnikov que se haviam aliado a Trotski. É desta forma que ascende definitivamente ao poder encetando uma governação ditatorial até à sua morte, em 1953. A construção do “socialismo num só país” era um imperativo. Estaline dominava o partido bolchevique e o partido dominava os sovietes e o Estado. O partido organizava-se seguindo os modelos de centralismo e a guerra civil, que durante anos afectou a Rússia após a Revolução de 1917, deu origem à criação de um partido único.
Uma das primeiras medidas que implementou foi a modificação da Nova Política Económica (N. E. P.) criada por Lenine, de forma a pôr em prática a sua tese da construção do “socialismo num só país”. Na Rússia de Estaline, a orientação da economia passaria a ser socializante, de planificação quinquenal (que apresentou em 1928), tendo a auto-suficiência como meta. O recurso a medidas autoritárias e coercitivas tornou-se frequente para que o partido pudesse implantar a planificação. Para conseguir os objectivos era necessária a colectivização forçada, imediata e total (proclamou a extinção dos kulaks, originando milhões de deportados); uma industrialização de base conseguida através da aplicação de medidas disciplinares à classe trabalhadora e do recurso ao trabalho forçado; e o fortalecimento do aparelho de Estado, apoiado nas instituições estatais. O resultado imediato ao nível da produção agrícola foi uma escassez que atingiu as cidades. A política de colectivização revelou-se um fracasso: a pecuária foi atingida pela falta de meios para alimentar os animais; os cereais eram colocados à venda no mercado internacional para fazer face às dívidas, deixando o povo russo em estado de carência alimentar grave, como a que se verificou em 1932-33; o Estado não podia suportar os gastos necessários para a aquisição de maquinaria suficiente para o cultivo eficaz de tão grande extensão de terra. No que diz respeito à indústria, os resultados mostraram-se mais favoráveis. O objectivo era promover uma industrialização rápida e para isso foram utilizados os capitais gerados no campo. Com o estado debilitado dos campos, os agricultores iniciaram um êxodo rumo às cidades, constituindo a nova mão-de-obra para a construção civil e para os ofícios. Verificou-se um avanço considerável nas indústrias do carvão, do ferro e do aço que, na verdade, constituíram o pilar da economia. A industrialização era uma realidade em 1939. Nas questões culturais também se verificou um avanço significativo, nomeadamente na implementação de medidas para eliminar o analfabetismo.
Para prosseguir a sua política ditatorial e debelar qualquer tentativa de conspiração, traição ou crítica, Estaline eliminou vários companheiros de partido através de purgas sucessivas, iniciadas com o assassinato de Serguei Kirov, em 1934 e destituiu o alto comando das forças armadas entre 1936-38. A depuração atingiu os mais velhos dirigentes do partido, do Comité e do Exército Vermelho. Como presidente do Comité de Estado para a Defesa, órgão constituído em 1941, Estaline tem o comando supremo das forças armadas. Mobiliza a população para a “grande guerra patriótica” e apela para a luta contra os invasores germânicos. A União Soviética, que permanecera neutral até 1941, entra na Segunda Guerra Mundial e derrota a Alemanha nazi entre 1941 e 1945 o que granjeou a Estaline a consideração e o prestígio, fomentando ainda mais o culto da personalidade, uma das características do estalinismo (a proliferação de estátuas e retratos de Estaline é bem elucidativa). Apesar da vitória sobre os nazis, mais de metade do país sofreu uma enorme devastação. No plano económico, as coisas não correram mal: as indústrias, o garante da economia da União Soviética, foram estrategicamente protegidas do ataque alemão. Efectivamente, depois de 1950, a produção industrial começou a aumentar, coadjuvada pelas descobertas de novas fontes de matérias-primas e pela submissão das economias dos países de Leste. A Guerra Fria não afectaria o desenvolvimento industrial e cultural, mas o problema colocado pela baixa produção agrícola continuou por resolver. No pós-guerra Estaline procurou em Ialta e em Potsdam estabelecer um acordo com os seus aliados ocidentais, mas não possuía a bomba atómica e para tal, o governo soviético teve que despender enormes capitais (a primeira bomba soviética foi construída em 1949).Estaline endureceu a sua política, marcada pelas dificuldades de reconstrução do país e pela Guerra Fria, encetando uma nova vaga de repressão a todos aqueles que traíssem a pátria espalhando um clima de terror. Após o rompimento de relações com Tito em 1949, quando este criticou a sua política, Estaline procedeu a purgas violentas nas democracias populares. Centralizou fortemente o partido comunista e, para além disso, submeteu politicamente toda a Europa Central e de Leste. Nos últimos anos da sua governação, Estaline afasta-se dos olhares do público e encerra-se no Kremlin saindo ocasionalmente para assistir aos desfiles do 1.º de Maio e do 7 de Novembro na Praça Vermelha. Depois da sua morte, em 1953, o culto da personalidade foi duramente combatido e as reacções contra a sua política ditatorial não se fizeram esperar. Procedeu-se a uma destalinização da política externa.
O Estalinismo, que designa o período governativo de Estaline, caracteriza-se por ter concedido primazia ao poder do Estado, desviando-se do materialismo histórico defendido por Marx: a tese do socialismo em um só Estado; a identificação do socialismo e do Estado contra a tese marxista da abolição do Estado; a negação das contradições dentro da sociedade socialista; a primazia da política em relação à economia; a independência da linguagem em relação à ideologia. O aparelho de Estado controla a totalidade dos poderes. A administração, o exército, a polícia e o partido bolchevique são os instrumentos do totalitarismo, imiscuindo-se em todas as áreas da vida dos cidadãos. Todos aqueles que se opõem são reprimidos exercendo-se sobre o cidadão um verdadeiro clima de terror. O estalinismo nega completamente a ditadura do proletariado e o desaparecimento do Estado, pois substitui o exercício directo do poder pelo povo pelo poder absoluto do Estado sobre o povo.

A URSS de Estaline (1922-1953).
In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

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