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Instabilidade em Portugal no Pós I Guerra

Durante os dezasseis anos que durou o regime republicano (1910-1926) assistiu-se a uma gestão extremamente deficiente, que aumentou a dívida externa de Portugal, e fez aumentar o custo de vida cerca de trinta vezes entre os anos de 1914 e 1926. Após o final da Primeira Guerra Mundial Portugal tinha uma dívida externa de 44 423 mil escudos, os preços tinham aumentado três vezes, a dívida à Grã-Bretanha era de 20 milhões de libras e havia constantes défices orçamentais. Surgiram os novos-ricos, que apoiaram a sua fortuna no mercado negro e em negócios obscuros durante o período da guerra, sector populacional que se dedicou no pós guerra a jogar com os défices e as novas necessidades em seu favor. Havia um excedente de liquidez do País, que pôde ser aplicado assim que o conflito terminou, e a emigração aliada às ajudas económicas externas permitiu um equilíbrio das maltratadas finanças portuguesas. A política económica posta em prática pelo Partido Democrático a partir de 1919 visou o crescimento industrial pela célere desvalorização do escudo através da inflação, que protegia assim o comércio interno, não aumentou o preço dos produtos agrícolas, estimulou a produção colonial para auferir ganhos provenientes de todo o império e aumentar um mercado que permita a modernização da indústria, subindo igualmente os salários dos trabalhadores, de forma a estimular a produtividade. Paralelamente, o Estado ia contraindo dívidas com o Banco de Portugal, ascendendo o débito a 645 mil contos em 1921, tendo neste mesmo ano a inflação aumentado o custo de vida em 130%, desde 1918. Os capitais vão sendo investidos externamente, devido à inflação e à valorização astronómica da libra. Criam-se entretanto duas facções opostas, divididas pelas radicais mudanças económicas e sociais. Juntaram-se os operários, comerciantes e pequenos industriais, revoltados contra as regalias e o exibicionismo dos novos-ricos, preconizando um aumento dos impostos e do controlo dos negócios sobre esta classe (que ascendeu maioritariamente através de transacções menos claras) para contrariar a inflação, apoiados pelo sector rural, que em nada beneficiavam com a economia de excessos e oportunidade colocada em prática. De características conservadoras e baluartes dos bons costumes, este último grupo defendia uma política económica tradicionalista e atingia em dimensão uma grande parte da população, apesar de não terem tido peso devido à inércia, desorganização no seio do grupo e à lei eleitoral. Similarmente ao resto da Europa, o clima político em Portugal era de extrema instabilidade e perturbação, tendo os chefes políticos, como Afonso Costa, cedido os cargos a personagens com falta de competência e preparação para lidar com os problemas do pós guerra. Sucediam-se as alianças, necessárias porque o Partido Democrático não obtinha votos para governar só, e os conflitos de interesses inter-partidários causavam uma constante instabilidade política que não permitia a aplicação de medidas consistentes, contínuas e produtivas, uma vez que os governos duravam dias, no máximo meses. Os movimentos revolucionários levaram em 1919 ao armamento da Guarda Nacional Republicana pelo governo, que contudo adquiriu um poder autónomo que exerceu por volta de três anos, gerindo a política portuguesa. Crises de autoridade, atentados políticos, inflação e corrupção estavam na ordem do dia, tendo atingido o seu clímax na “Noite Sangrenta” de 19 de Outubro, que libertou ódios de corporações e pessoais estimulados pelas forças políticas de direita (além de interesses internacionais, económicos, da Igreja Católica e monárquicos), causando o assassínio de políticos republicanos como António Granjo e Carlos da Maia. A sociedade reflectia todas estas flutuações, verificando-se também uma extrema desigualdade de classes. Os que viviam no campo e os pescadores eram explorados pelos mecanismos citadinos, contra os quais se revoltavam pontualmente, levando uma existência maioritariamente miserável e sendo manipulados pelos organismos locais predominantes. Tal levou os governos a tentar melhorar os mecanismos de assistência e controlar os movimentos sindicais, o que não impediu a proliferação de assassínios, atentados bombistas e contendas pessoais, sucedendo-se as greves e conspirações envolvendo operários e empregados (classes urbanas muito desfavorecidas) contra o governo. Estas circunstâncias no seio da classe trabalhadora e as medidas governamentais tomadas para o seu apaziguamento (redução do horário de trabalho, aumento de salários) descontentaram as entidades patronais, que tinham até então erigido o seu desafogo económico sobre a exploração dos trabalhadores e a extrema instabilidade política e financeira. O decrescer dos ordenados públicos, dos que subsistiam de rendimentos fixos degradou-se rapidamente, criando os chamados “novos pobres” pela perda de grande parte do poder de compra (que aumentaria progressivamente, apesar de forma lenta, a partir de 1920). Agravando a situação, o censo de 1930 demonstrou que o grau de iliteracia na altura se elevava aos 68% da população, apesar dos esforços empreendidos para contrariar esta situação. As instituições parlamentares trabalhavam mal e foram desacreditadas e grassava a corrupção, além de um economia extremamente mal gerida.

Instabilidade em Portugal no Pós I Guerra. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto: Porto Editora, 2006.

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