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5 de Outubro de 1910

Desde finais do século XIX, a monarquia portuguesa encontrava-se debilitada pelo descrédito, corrupção, especulação, escândalos e compadrio que envolviam vários membros do governo, nobreza e grandes capitalistas. Vivia-se em Portugal uma crise económica e social. Por outro lado, o rotativismo partidário começava a dar sinais de desgaste, sendo olhado com desconfiança pela população. O Regicídio – 1908 – foi um dos acontecimentos que demonstra, de forma vibrante, este desgaste do regime. O Ultimatum inglês (1890) e a revolta de 31 de Janeiro de 1891 no Porto (a primeira tentativa de implantação da República) marcaram uma nova fase na política portuguesa, em que o nacionalismo e o patriotismo do povo português foram incentivados. Uma das formas encontradas foi a caricatura política. Registava-se, então, o crescimento de partidos políticos como o Partido Republicano e o Partido Socialista Português que defendiam os princípios de liberdade, igualdade política, democracia, municipalismo e associativismo, apoiados fervorosamente pela pequena e média burguesia e o operariado, as classes mais afectadas pelas dificuldades económicas de finais do século XIX e princípios do século XX.

À uma hora da madrugada de 4 de Outubro de 1910, vários quartéis e posições estratégicas de Lisboa foram ocupados por civis e militares, apoiados pelo Partido Republicano, Maçonaria e Carbonária. Foram atacados simultaneamente o Palácio das Necessidades, onde se pensava encontrar o rei, o Quartel-General e o Quartel do Carmo, aquartelamento da guarda de elite da Monarquia. Os combatentes republicanos, comandados por Machado Santos, concentraram-se na Rotunda de Lisboa. A Guarda Municipal e as tropas fiéis ao rei juntaram-se no Rossio. No Tejo, dois cruzadores da Marinha tinham também aderido à Revolução. A Revolução parecia perdida; os combatentes na Rotunda achavam-se em inferioridade numérica. Porém, o movimento vingou devido ao facto do povo de Lisboa ter aderido entusiasticamente à revolta.
No dia seguinte, era proclamada, por José Relvas, a República da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, sem grande oposição. O último rei de Portugal – D. Manuel II – partia, na Ericeira, com a família para o exílio, em Inglaterra.

Com a implantação da República institui-se um governo provisório, presidido por Teófilo Braga. Procedeu-se à elaboração de uma nova Constituição (aprovada em 1911) e adoptaram-se novos símbolos para o novo regime – uma moeda (o escudo), uma bandeira (a actual) e um hino (A Portuguesa).

mais aqui.

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